Família fingia interesse em aluguel e furtava objetos de apartamentos


 A família que furtou os pertences de dentro de um apartamento recém-alugado em Porto Alegre foi ouvida na manhã desta quinta-feira e liberada em seguida, pois o Ministério Público e o Tribunal de Justiça entenderam que "não foram preenchidos os requisitos legais" para determinar a reclusão dos suspeitos. 

O casal Felipe Ribeiro Pereira, de 30 anos, e Camila Paredes, 29, alugou no início deste mês um apartamento no bairro Tristeza, zona sul da Capital, e, aos poucos, foi levando para o futuro lar utensílios como ar-condicionado, aspirador de pó e panelas. Porém, no último sábado, quando os dois chegaram no imóvel para deixar as cadeiras que haviam adquirido, se depararam com o apartamento vazio. Surpresos, recorreram às câmeras de vigilância e descobriram que na tarde anterior quatro pessoas haviam entrado no prédio e furtado os pertencem avaliados em R$ 4 mil.

Na última segunda-feira, um dos suspeitos — condenado duas vezes por furto qualificado e formação de quadrilha — foi identificado, e, por meio dele, a Polícia Civil chegou até os outros três integrantes, todos com passagens pela polícia.

— É uma quadrilha especializada composta por pai, esposa, filha e genro. Todos admitiram que fazem isso duas ou três vezes por mês, principalmente na Zona Leste — diz a titular da 2ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, Aurea Regina Hoeppel, responsável pela investigação.

Para conseguir entrar nos apartamentos, o grupo se passava por possível comprador, pegava as chaves dos imóveis nas imobiliárias e fazia cópia. Segundo a delegada, eles utilizavam até goma de mascar para fazer o molde da chave.

— Eu nunca vi tanta frieza em depoimento. E olha que eu trabalho há muitos anos na polícia. Eles disseram tudo com a maior naturalidade. Contaram, inclusive, que vendem os objetos na área central — diz a delegada, com 34 anos de experiência.

A Polícia Civil conseguiu recuperar alguns objetos em uma vila localizada na Zona Norte, onde a família mora, mas muitos já haviam sido vendidos no dia do furto, segundo os depoimentos. A prisão temporária foi pedida baseada nos crimes de formação de quadrilha e furto.

— O inquérito está finalizado. Vou apenas reforçar a necessidade de prisão da quadrilha, pedindo, agora, a prisão preventiva — diz a delegada.

Conforme a promotora Diane Tagliari, o pedido de prisão temporária não foi atendido porque a pena de furto é inferior a quatro anos, o que torna a medida ilegal. Além disso, conforme a promotora, não havia no processo a identificação do grupo como quadrilha.

Zero Hora

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