24 de nov de 2015

Joaquim Barbosa: país será humilhado quando EUA começarem a julgar caso Petrobras

O Brasil e os brasileiros vão passar por uma verdadeira humilhação assim que começarem os primeiros julgamentos, pela Justiça norte-americana, de envolvidos nos esquemas de corrupção na Petrobras e na Fifa. A afirmação é do ex-presidente do Superior Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que participou nesta quarta-feira do 10º Siac — Seminário Internacional da Acrefi.

Barbosa lamentou o fato de o Brasil ser signatário da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) num acordo para evitar corrupção entre empresas e ainda assim o governo brasileiro titubear nestas práticas.

— A tolerância à corrupção pode causar danos aos investidores. A falta de ética pode ser deletéria na formação de preços, encarecendo-os (os produtos), desde os mais simples aos supérfluos — disse.

Quanto ao Brasil, disse Barbosa, há uma preocupação generalizada com a confusão que se faz no país entre o público e o privado. Para ele, a chave para a solução são mais mecanismos de controle e transparência.

Joaquim Barbosa classificou como "lenda urbana" as suposições de que houve fraude nas urnas eletrônicas na reeleição da presidente da República, Dilma Rousseff, em 2014.

— A mesma urna que elegeu a senhora Dilma Rousseff elege o senhor Aécio Neves, Geraldo Alckmin e os parlamentares por todo o país — afirmou o ex-ministro do STF, acrescentando que ele próprio serviu à Justiça Eleitoral por três anos e nunca presenciou um ato fraudulento em qualquer urna eletrônica.

De acordo com ele, os questionamentos feitos sobre as urnas eletrônicas ocorrem mais na internet e são irresponsáveis. Na visão do ex-ministro, a urna eletrônica foi um grande avanço da Justiça Eleitoral e evita manipulação dos resultados.

Para ele, o que há no Brasil, no âmbito eleitoral, é uma preocupação generalizada com a forma de financiamento das campanhas eleitorais. Segundo Barbosa, nenhuma empresa contribui com campanhas eleitorais por altruísmo, "há sempre interesse por trás". Ele elogiou a extinção do financiamento privado de campanha, decisão tomada pelo STF em setembro.

Estadão