7 de mar de 2016

Cabos subaquáticos vão levar energia firme e fibra ótica ao Marajó e Calha Norte

O sonho da energia de qualidade, além da conexão de dados por meio de fibra ótica, será uma realidade aos municípios do arquipélago do Marajó e da Calha Norte, no Pará. Na manhã desta quarta-feira (24), uma comitiva formada por representantes do Governo do Estado, Centrais Elétricas do Pará (Celpa) e gestores municipais conheceu parte da estrutura de instalação dos 17 km de cabos que vão interligar a subestação de energia em Vila do Conde, Barcarena, até o município de Ponta de Pedras, no Marajó. A empreitada representa um investimento total de R$ 250 milhões.

O barco que contém os gigantes rolos de cabos que serão instalados ao longo do próximo mês está ancorado próximo ao município marajoara de Ponta de Pedras. Do total investido, R$ 120 milhões são provenientes do governo, por meio do Programa de Investimentos em Áreas Sociais (PIS), e R$ 130 milhões da Celpa.

José Megale, chefe da Casa Civil da Governadoria

“Este é um momento importante para o Pará e, principalmente, para a população do Marajó, que terá a garantia de uma energia de qualidade, interligando e fortalecendo os municípios da região em diversos aspectos, principalmente o econômico. Este ato representa o cumprimento da última etapa de um processo iniciado pelo ex-governador Almir Gabriel que trouxe o linhão, que levou energia firme para Santarém, Itaituba e outras cidades. Agora esta energia chega aqui e, em breve, também ao oeste. Isso é um marco, pois não podemos pensar em desenvolvimento, turismo, melhoria das condições de vida sem energia firme”, disse o chefe da Casa Civil da Governadoria, José Megale.

O sistema subaquático aplicado pela fornecedora de energia adotará uma tecnologia inédita no Estado para o início da segunda etapa da conexão da Ilha do Marajó ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Serão implantados dois circuitos de cabos subaquáticos, que conectarão as subestações de Vila do Conde, em Barcarena, à de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó. Com um comprimento de 17 quilômetros em cada circuito, os cabos totalmente isolados e protegidos serão responsáveis por levar energia de melhor qualidade a municípios como Ponta de Pedras, Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari, Santa Cruz do Arari, Anajás, Chaves, Afuá, São Sebastião da Boa Vista e Muaná.

Conexão – A Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Pará (Prodepa), em parceria com a Celpa e usando o mesmo cabo subaquático, implantará uma estrutura de fibra ótica, que será responsável pela transmissão de dados, interligando a ilha do Marajó à rede pública de internet. “A população perceberá nos próximos meses não apenas a melhoria na qualidade da energia elétrica, mas também do sistema de telecomunicações, que se iniciará em Ponta de Pedras. A perspectiva do Estado é que este município seja a porta de entrada para uma parceria permanente com a Celpa para que os demais municípios recebam internet em alta velocidade. Como impacto positivo teremos a melhoria dos serviços das próprias prefeituras, além do avanço do Navega Pará no interior do Marajó”, afirmou o presidente da Prodepa, Théo Pires.
Théo Pires, presidente da Prodepa

O município de Soure já tem a internet da Prodepa por meio de rádio, mas a expectativa é que os cabos de fibra ótica possam alcançar todos as cidades marajoaras. Serão 24 pares de fibra com 10,7mm de diâmetro total. Isso representa o transporte de dados em alta velocidade, proporcionando o alcance de taxas de transmissão da ordem de 40 Gbps.

Daniel Negreiros, diretor de distribuição da Celpa

“Ter energia de qualidade aliada à melhoria na comunicação significa que teremos investimentos melhores na região, com o crescimento do turismo e empreendimentos como hotéis de grande porte, além de indústrias gerando emprego e renda para a população. Acreditamos que desta forma poderemos mostrar ainda mais ao mundo esta beleza que é o arquipélago do Marajó”, assinalou o diretor de distribuição da Celpa, Daniel Negreiros.

Estado investe em desenvolvimento para combater a pobreza e reduzir as desigualdades

O desenvolvimento dos municípios na região do Marajó é uma das prioridades do governo estadual. Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Adnan Demachki, levar energia de qualidade para o Marajó é fundamental para que se possa desenvolver a economia das cidades da região. “Precisamos fazer um esforço coletivo para melhorar os índices socioeconômicos do arquipélago. Uma região belíssima que precisa de infraestrutura para crescer e ser usufruída em plenitude”, diz o secretário.

Segundo ele, no ano passado, visando atrair empresas para se implantarem no Marajó e gerar empregos para os moradores, o governo criou uma política fiscal que privilegia empreendimentos que se instalarem em cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). “A energia era um limitador para esses empreendimentos. Por isso o esforço do governo de aplicar R$ 120 milhões nesse ajuste com a Celpa, parte para o Marajó e outra, para a Calha Norte”, completa.
Consuelo Castro, prefeita de Ponta de Pedras

A subestação de Ponta de Pedras substituirá a antiga termoelétrica, gerando uma energia mais barata, limpa e estável. “O governo do Estado escreve a história com essa obra, ao lado da Celpa. Esta é uma obra de grande relevância social e econômica para o povo do Marajó. E com certeza a energia que receberemos do linhão de Tucuruí será mais barata e mais limpa do que a termoelétrica que usávamos”, disse a prefeita de Ponta de Pedras, Consuelo Castro.

A obra faz parte de um projeto que contempla a substituição das fontes de geração de energia elétrica que atendem os municípios. As usinas térmicas que suprem essas cidades serão gradativamente desativadas com a entrada em operação dos cabos subaquáticos e das demais obras, que envolvem novas subestações e linhas de transmissão. Assim, a geração térmica dará lugar a uma fonte de geração hídrica, pois a obra levará energia elétrica proveniente do Sistema interligado Nacional a essas localidades e beneficiará, diretamente, cerca de 450 mil pessoas residentes no arquipélago.

Tecnologia – Os cabos subaquáticos foram fabricados em Vila Velha, no Espirito Santo, e chegaram ao Pará em um navio especial para este tipo de serviço, equipado com um sistema completo e diferenciado de posicionamento e que garante segurança à navegação. Quando lançados, os cabos ficam submersos e praticamente enterrados no fundo do rio, onde a profundida pode ultrapassar 30 metros. O nível de segurança e monitoramento é alto para que não aja nenhuma falha da distribuição de energia. Caso um dos cabos apresente qualquer problema, outra linha paralela assume a função de encaminhar a energia aos municípios.


Em Ponta de Pedras serão interligados 35 pontos, entre órgãos municipais e estaduais, como unidades da Seduc, Semed e Sesma, melhorando a conectividade e o trabalho de ordem pública no município. Além de levar internet para os órgãos públicos, também será implantado um ponto de acesso livre na praça da cidade para que a população possa usar wi-fi gratuito. Até o fim do primeiro semestre deste ano será inaugurada a Cidade Digital de Ponta de Pedras. (Com informações da Celpa, Prodepa e Sedeme)

Diego Andrade
Secretaria de Estado de Comunicação