5 de set de 2016

Improviso e falta de reconhecimento marcaram início do esporte paralímpico

A primeira medalha paralímpica do Brasil foi conquistada por acaso, em 1976. Naquele ano, os atletas Robson Sampaio e Luiz Carlos da Costa foram a Toronto, no Canadá, para integrar a equipe de basquete em cadeira de rodas, mas acabaram se interessando pela modalidade chamada Lawn Bowls, que é um tipo de bocha, que não é praticada no Brasil. Aprenderam as regras do esporte na hora, e acabaram ganhando a medalha de prata.

O improviso não era incomum no esporte paralímpico quando começou a ser praticado no Brasil. Segundo a doutora em educação física adaptada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Michelle Barreto, que elaborou sua tese de doutorado sobre o esporte paralímpico brasileiro entre os anos de 1976 e 1992, antigamente os atletas praticavam várias modalidades e o que era priorizada era a participação.

“Antigamente, como não tinha muita gente, eles praticavam várias modalidades. Tanto que eles não ganhavam medalhas por isso, porque não eram tão fortes em alguma coisa. Mas o que se priorizava era o esporte participação. No caso da primeira medalha foi exatamente isso que aconteceu”, conta a pesquisadora.

A falta de reconhecimento dos atletas e do esporte paralímpico também é uma marca daquele período. Segundo a pesquisadora, os atletas com quem ela conversou reclamam que, mesmo com bons desempenhos, não eram reconhecidos da mesma forma que os atletas são hoje. “Eles falam com muito orgulho: 'nossa, eu ganhei uma medalha paralímpica, eu representei o meu país, mas na semana seguinte fui esquecido'. Não tinha essa mídia e tudo mais, como tem hoje”, diz Michelle.

Agência Brasil
Foto: Divulgação/Acervo pessoal/João Batista Carvalho e Silva